domingo, 13 de junho de 2021

AILTOM KRENAK LANÇA "FLECHA SELVAGEM"


Série de filmes curtos é fruto de um sonho do líder indígena para ‘adiar o fim do mundo’. A primeira flecha já foi lançada e acerta a ciência e os saberes ancestrais.

Ailton Krenak é um dos autores mais lidos nos últimos anos e em conjunto com o Ciclo de Estudos Selvagem produziu a websérie A Flecha Selvagem.

São seis filmes curtinhos, de 15 minutos cada, que misturam de forma muito apropriada e de fácil compreensão conhecimentos das tradições dos povos originários e conhecimentos científicos. As “flechas” reúnem trechos das rodas de conversa dos eventos Ciclo de Estudos Selvagem  realizados nos anos de 2018 e 2019 e dos bate-papos online de 2020 e 2021, resgatando pensamentos e reflexões sob as perspectivas científicas, mitológicas e ancestrais.

O primeiro episódio – A SERPENTE E A CANOA - já está no canal do YouTube do Selvagem – Ciclo de Estudos

Trata-se de uma viagem por teorias científicas contemporâneas e memórias das culturas ancestrais de várias partes do mundo. O fio condutor deste episódio costura duas narrativas: a da canoa cobra, memória originária de povos rio negrinhos da Amazônia, e a serpente cósmica, presente em mitos de origem de diferentes culturas, vista como a dupla hélice do DNA, código de memória presente em tudo que é vivo. A viagem percorre uma sequência que entrelaça saberes indígenas e hipóteses científicas sobre o surgimento da vida.

MAIS CINCO FLECHAS

As outras cinco flechas serão lançadas até dezembro. A websérie é composta por uma narrativa na voz do líder indígena, tem narração inicial da artista Daiara Tukano e exibe obras de artistas brasileiros (entre eles, indígenas) e estrangeiros.

A Flecha Selvagem é a realização de um sonho de Krenak para “adiar o fim do mundo”. Foi a solução que ele encontrou para que o conteúdo desses encontros fosse mais bem aproveitado, reaproveitado, reciclado, e pudesse promover novas reflexões

Para além de atingir o público em geral, os organizadores fazem “um convite para que escolas, universidades, pontos de cultura e projetos comunitários de educação acessem narrativas mais pluriversais”.  Para isso, cada flecha/vídeo será acompanhada/o por um Caderno Selvagem que terá download gratuito. Será uma publicação especial com informações complementares, com propostas de atividades e outras ativações.

Veja o resumo de cada um dos episódios:

SERPENTE CÓSMICA

“Viajaremos por teorias de criação do Cosmos ao surgimento da vida na Terra a bordo de narrativas científicas contemporâneas e das memórias das culturas ancestrais e tradicionais. O fio condutor deste episódio será a Serpente Cósmica, presente em mitos de origem de diferentes culturas, vista como a dupla hélice do DNA, código de memória presente em tudo que é vivo. A viagem percorrerá uma sequência entremeada de mitos de origens e hipóteses científicas sobre o surgimento da Vida. 

PLANTAS MESTRAS 

Aqui, o conhecimento tradicional nativo conversa com Paracelso, Darwin, Lineu e Lynn Margulis. Pensar que há um domínio das plantas, responsáveis pela fotossíntese, que transforma energia solar em matéria. Pode-se dizer que a memória está inscrita na natureza através dos genomas. E assim, de mãos dadas com diferentes linhagens de botânicos, raizeiros e pajés, caminharemos entre as plantas mestras, agentes da pluriversalidade, para perceber a profundidade da nossa conexão com a biosfera. 

BIOSFERA

Gaia, a Biosfera, é um grande organismo vivo do qual todos fazemos parte. Para além do Antropoceno, uma visão da Vida onde tudo está absolutamente relacionado, das cianobactérias ao ozônio. Ver a fotossíntese como chave de manutenção do equilíbrio dinâmico e dessa forma perceber a importância da matéria verde para a regulação da biosfera. Falaremos de raios cósmicos, frequências de luz, energia química e outros processos. A Teoria de Gaia, aqui, dialogará com o céu suspenso, como descrito por Davi Kopenawa. 

SERES INVÍSIVEIS 

Os seres invisíveis são essenciais para a vida. A ciência os revela como contínuas atividades de plânctons, fungos, vírus, bactérias e diatomáceas que regulam da Biosfera. Mergulharemos no conceito da simbiose, mecanismo de evolução a partir da cooperação e não da competição, aprofundando-nos, assim, nas relações entre os seres e também nas soluções que outros organismos encontraram para questões como, por exemplo, a geração de resíduos. Na visão indígena, os seres invisíveis encontram outra metafísica: os grafismos como visualidade da ordem energética da vida, gente-peixe, gente-pedra, gente-planta, os “espíritos” da mata, os “donos” dos lugares. Eles também habitarão esta flecha.

METAMORFOSES 

A metamorfose como expressão do processo de transformação contínua da vida. O filósofo Emanuele Coccia diz que a vida é uma migração entre corposonde cada ser vivo é uma espécie de casulo pelo qual a vida constrói algo diferente. Com essa inspiração, construiremos uma ponte entre a narrativa de Coccia e conceitos indígenas como shuku shukuê que, para os Huni Kuin, representa “a vida não tem fim”. 

REGENERANTES 

“Micróbios, vegetais, animais, fungos, elementos orgânicos e inorgânicos se relacionam a centenas de milhões de anos de forma equilibrada e dinâmica. Os humanos tornaram-se uma força geológica capaz de afetar a estrutura sensível que sustenta a biosfera. O ecólogo Fabio Scarano fala de espécies que atuam como células-tronco na atividade de retecimento da camada viva do planeta. Dessa proposição buscaremos alinhar no front da batalha pela vida, do encantamento pela vida, algumas atividades que transformam de forma positiva o sistema insustentável em que vivemos. Quem são os seres regenerantes que podem colaborar para cicatrizar a ferida antropocênica? Falaremos sobre a revegetalização do planeta, como dizia o pajé Agostinho Ika Muru do povo Huni Kuin, e outros comandos de regulação para além dos humanos”.

SOBRE AILTON KRENAK

O índio nascido em 1953 na região do Médio Rio Doce, em Minas Gerais, foi alfabetizado somente aos 17 anos. Em 2016 Ailton Krenak receberia o título de Professor Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (SP), onde ele também lecionava em cursos de especialização sobre temas indígenas.

Em 2020 foi escolhido para receber o importante Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano.

O líder indígena ambientalista participou, na década de 1980, da fundação da União dos Povos Indígenas e da Aliança dos Povos da Floresta, bem como da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Brasileira de 1988.

Ali protagonizou uma cena marcante que ganhou o mundo. Em discurso, na tribuna da Câmara dos Deputados, pintou o rosto com tinta preta do jenipapo, segundo o tradicional costume indígena brasileiro, para protestar contra o que considerava um retrocesso na luta pelos direitos dos índios brasileiros.

Desde 2015 vem denunciando o crime socioambiental ocorrido em Mariana (MG), com o rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco/BHP Billiton, da Vale que impactou também o território tradicional dos índios krenak.

Ailton Krenak transmite suas ideias de forma oral, conforme a tradição indígena milenar.

A HISTÓRIA DE DIM DIM E SR. JOÃO




  • Em 2011, o pinguim Dim Dim apareceu próximo à casa do pescador João, que vive na ilha Grande - Rio de Janeiro. O pinguim estava cheio de petróleo e quase morto. João lhe salvou e eles nunca mais se separaram. Todos os anos, Dim Dim volta sozinho pra visitar o homem que salvou sua vida. Uma verdadeira história de amor e fidelidade! Sensacional!!! Sem falar na grandeza desse senhor de deixar ele livre, Muitas outras pessoas iriam querer colocar o pinguim num cativeiro pra exibir como um troféu.
  • Além do sentimento que o Pinguim sente por Sr. João, ele é inteligente também , pra decorar um caminho da Patagônia Argentina até uma ilha no RJ , que convenhamos tem várias , no exato lugar onde ele viu o rapaz com a consciência de que o rapaz estaria ali , tem que ser um animal com uma memória fotográfica, que aliás todo pinguim tem , já que eles sempre voltam para o lugar onde nasceu depois de anos , mais esse caso é bastante peculiar , a natureza cada dia que passa me surpreende mais .

INSPIRAÇÃO


 

O CICLO DE VIDA DE UMA FOLHA

A cor verde da folha muda conforme a clorofila para de fluir. Antocianinas (um tipo de flavonóide), então, começam a ser produzidas para substituir a clorofila resultando em tons mais escuros.
Ciclos implicam movimento que geram ciclos dentro de ciclos, dentro de ciclos, até o infinito... Ciclos, circulações, circuitos, órbitas, vibrações e ritmos fazem parte da universo, portanto, estão em todos os aspectos da realidade. Não há como evitar isso. Sempre haverá pontos altos e pontos baixos, fases de subida e descida. Ciclos dentro de ciclos são uma parte inerente da natureza, vida, humanidade, evolução e criação.
O estudo dos ciclos aumenta nossa compreensão filosófica e metafísica, ajudando-nos a discernir estrutura, ordem e padrão e aprender que há equilíbrio. Também pode ajudar nossos estados emocionais, encorajando-nos a viver uma vida de desapego, sabendo que tudo na vida terá fluxo e refluxo. Os ciclos podem nos ensinar como "deixar ir" e sentir satisfação e apreciação em todas as fases da vida, reconhecendo que tudo está em constante mudança e fluxo.
"Tudo no mundo é energia em um estado contínuo de mudança. A soma total de energia no universo não aumenta ou diminui, mas é continuamente transformada de um estado para outro. Não há fim, apenas mudança. O fim de um ciclo marca o início de outro." ~ Jonathan Quintin

terça-feira, 18 de maio de 2021

TODOS ERRAM E... TUDO BEM!!!!

 


GENTE BONITA - HELENA RAPOZZO


Gente bonita pra mim nada tem a ver com idade, corpo malhado,  cabelos brilhantes, cor de pele, dentes branquíssimos perfeitos  facetados de lentes, letrados e graduações...

Gente bonita pra mim é a que sorri com os olhos, que é espontânea, autêntica, que conta histórias gostosas, que se aceita e se ama do jeitinho que é. Que honra suas raízes, suas lutas,que se sabe humana, imperfeita, que erra, reconhece e  recomeça corajosamente tentando acertar.

Gente bonita pra mim ...

É essa gente que sangra, que chora, que surta e está sempre tentando voltar pro prumo.

Gente bonita pra mim é a que apesar de todos seus pesares...

Não economiza simpatia, levezas, compaixão, afeto, elogios, incentivos, bom humor...

Essa gente que faz a gente perder a hora e não querer ir nunca mais embora.

Ahhh fia, essa gente de alma muito maior que a tão frágil  matéria me encanta!

Helena Rapozzo 

Um salve e muita luz a toda essa gente bonita! 

LIVRO: CÂNTICOS DE CECÍLIA MEIRELES


Comecei esta semana a reler o livro de Cecília Meireles- Cânticos. Observei com novos olhares a sensibilidade e as reflexões contidas nos versos em relação ao tempo, espaço e divisão das coisas.

Estes textos foram escritos em 1927, na época a autora tinha apenas 26 anos e só veio a ser publicado em 1981.

A obra fala-nos do AMOR como lei Universal (lei que une e intercala todas as coisas). Pede-nos para que ouçamos a VOZ DO SILÊNCIO, pois quando calamos a boca da Mente, do Corpo Físico e das nossas Emoções, podemos ouvi-las.

A nossa mente tagarela o tempo todo.

O nosso corpo físico, com seus instintos nos cobra o tempo topo...

E as emoções? Essa nos faz sair do prumo. Segundo pesquisa feita recentemente pela OMS, o Brasil é o país mais ansioso do Mundo e o quinto mais depressivo.

O livro fala-nos sobre a superação da DOR. A história de vida da própria autora foi de SUPERAÇÃO : Perdeu o pai aos  três meses antes de nascer. Perdeu a mãe aos três anos e passou a ser criada pela avó materna.

A professora e poeta da Universidade Federal de Sergipe, Maria Lúcia Dal Farra, conta que a grafia inicial do sobrenome de Cecília era com dois "l" e que a mudança teria vindo após a carta de um desconhecido que se identificou como médium e sugeriu a eliminação de uma letra para "tornar a vida mais leve". A mensagem chegou em um momento de fragilidade, após o suicídio do primeiro marido e a necessidade de trabalhar dobrado para criar as três filhas. Como podemos perceber, ela acatou a sugestão.

Sua passagem como educadora foi muito importante. Em 1934 cria com o marido, Fernando Dias o Centro de Cultura Infantil, uma biblioteca para crianças. Autora de inúmeros livros para o público infantil e ativa defensora de uma educação pública;  como uma forma de diminuir as desigualdades do país, Cecília foi uma das fundadoras do movimento Escola Nova junto com outros intelectuais da década de 1920 no Brasil. A crítica do presidente Getúlio Vargas, a quem chamava de "O Ditador", Cecília teve seu centro fechado em 1937 diante de denúncias de que ali haveria livros de conteúdo educacional duvidoso. O principal motivo da discussão foi a presença de um clássico do escritor americano Mark Twain, As aventuras de Tom Sawyer.

Voltando ao livro...somos levados pela autora a um Universo de sabedoria, de contemplação do Belo. A beleza é a via mais eficaz de chegar aos nossos corações. Podemos dizer verdades e elas serem duras, porém, podemos dizer verdades e elas serem BELAS. Revestir verdades com BELEZA é muito mais fácil de gravá-las em nossa alma. São como SUTRAS, com muita informação condensada, que não podemos entendê-los pela lógica do intelecto, do racional, pois são carregados de força espiritual. Assim são os CÂNTICOS de Cecília.

 O livro traz XXVI Cânticos. Colocarei apenas 2 .

Cânticos de Cecília Meireles – um chamado de paz à alma

I

Não queiras ter Pátria.

Não dividas a Terra.

Não dividas o Céu.

Não arranques pedaços ao mar.

Não queiras ter.

Nasce bem alto.

Que as coisas todas serão tuas.

Que alcançarás todos os horizontes.

Que o teu olhar, estando em toda parte

Te ponha em tudo,*

Como Deus.

*(Estarás em tudo)

 

VI

Tu tens um medo:

Acabar.

Não vês que acabas todo o dia.

Que morres no amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que te renovas todo o dia.

No amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que és sempre outro.

Que és sempre o mesmo.

Que morrerás por idades imensas.

Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

 


POEMA: PROMESSAS DE UM MUNDO NOVO - THICH NHAT HANH

Prometa-me Prometa-me neste dia Prometa-me agora Enquanto o sol está sobre nossas cabeças Exatamente no zênite Prometa-me: Mesmo que eles Ac...